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O que acontece no corpo do seu filho quando ele corre?

  • Foto do escritor: Barbara Telles
    Barbara Telles
  • 19 de ago.
  • 6 min de leitura

Uma criança começa a correr atrás da bola. Poucos minutos depois, está com o coração acelerado, respirando mais rápido, com o rosto vermelho e dizendo que está com calor.


Para quem olha de fora, parece apenas o resultado da correria. Dentro do organismo, porém, coração, pulmões, circulação e músculos estão fazendo vários ajustes ao mesmo tempo para sustentar o esforço.


Entender essa resposta ajuda os pais a perceberem por que o movimento é tão importante na infância e também a reconhecer quando o cansaço durante uma brincadeira merece ser observado com mais atenção.


Criança correndo ao ar livre durante atividade física infantil.

Por que o coração da criança acelera quando ela corre?

Assim que a criança começa a correr, os músculos passam a precisar de mais energia.

Para produzi-la, o organismo aumenta a oferta de oxigênio e nutrientes aos tecidos que estão trabalhando. Uma das respostas do coração é aumentar a frequência dos batimentos e a quantidade de sangue bombeada.

Por isso, perceber o coração batendo mais rápido depois de correr, pular, jogar futebol ou brincar de pega-pega é uma resposta fisiológica esperada ao exercício.

A intensidade dessa resposta varia conforme a atividade, a idade e o condicionamento físico da criança.

Depois que ela interrompe a brincadeira e descansa, a tendência é que os batimentos diminuam progressivamente.


Por que a respiração fica mais rápida?

Os pulmões também precisam acompanhar o aumento da demanda do organismo.

Durante o exercício, a ventilação aumenta para que mais oxigênio seja captado e para eliminar o gás carbônico produzido pelo metabolismo durante o esforço.

É por isso que uma criança pode terminar uma corrida ofegante e precisar de alguns minutos para recuperar o ritmo habitual da respiração.

A respiração mais intensa durante uma atividade física não significa, isoladamente, que exista algum problema.

O contexto importa.

Uma criança que corre bastante e fica ofegante é diferente de uma criança que precisa parar repetidamente durante uma brincadeira leve, apresenta dificuldade importante para respirar ou não consegue acompanhar outras crianças da mesma faixa etária.


Por que o rosto fica vermelho e o corpo esquenta?

Essa é outra dúvida frequente.

Durante a atividade física, a circulação sanguínea se adapta ao esforço e à necessidade de controlar a temperatura corporal. O fluxo de sangue para a pele pode aumentar para facilitar a dissipação do calor.

O resultado pode aparecer rapidamente: bochechas avermelhadas, pele quente e suor.

Na maioria das vezes, essas mudanças fazem parte da adaptação normal do organismo ao exercício.

É importante observar o comportamento geral da criança. Cor arroxeada nos lábios ou na pele, mal-estar importante, desmaio e dificuldade respiratória acentuada não devem ser interpretados simplesmente como consequência de ter corrido.


E o que acontece com os músculos?

Correr parece um movimento automático para uma criança que já domina essa habilidade, mas exige bastante do organismo.

Os músculos utilizam energia para produzir cada passada, salto, mudança de direção e aceleração. Ao mesmo tempo, diferentes grupos musculares precisam trabalhar de maneira coordenada para manter equilíbrio e estabilidade.

Por isso, atividades comuns da infância, como correr, pular, pedalar, dançar, subir em brinquedos e jogar bola, contribuem para o desenvolvimento da força, da resistência, da coordenação motora e do condicionamento físico.

Não é necessário transformar a brincadeira em treinamento.

Para a criança, brincar já é uma importante forma de se movimentar.


Movimento também treina o coração

A atividade física regular traz benefícios que vão além do gasto de energia.

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde apontam benefícios para a aptidão cardiorrespiratória e muscular, saúde óssea, pressão arterial, metabolismo da glicose, sensibilidade à insulina, perfil lipídico e composição corporal.

A atividade física também está relacionada a benefícios cognitivos e de saúde mental.

Na prática, isso significa que aquela corrida no parque participa de algo maior: o desenvolvimento de um organismo capaz de responder melhor aos esforços físicos.


Quanto uma criança precisa se movimentar?

Aqui é importante considerar a idade.

Para crianças de 3 a 4 anos, a Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 180 minutos de diferentes atividades físicas distribuídos ao longo do dia. Desse período, pelo menos 60 minutos devem envolver atividades de intensidade moderada a vigorosa.

Dos 5 aos 17 anos, a recomendação é uma média de pelo menos 60 minutos por dia de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana, predominantemente aeróbica. Atividades vigorosas e aquelas que fortalecem músculos e ossos devem aparecer pelo menos três dias por semana.

E esses minutos não precisam acontecer dentro de uma academia ou de uma aula de esporte.

Correr, brincar de pega-pega, andar de bicicleta, jogar bola, pular corda e várias outras brincadeiras contam.

O objetivo na infância é criar oportunidades frequentes para o movimento.


Meu filho precisa praticar um esporte?

Não necessariamente.

Futebol, natação, judô, dança e outras atividades estruturadas podem ser excelentes opções, principalmente quando a criança gosta de praticá-las. Elas não são, porém, a única maneira de ter uma infância ativa.

Uma criança que brinca no parque, anda de bicicleta, corre com os amigos e passa boa parte do dia se movimentando também está praticando atividade física.

Para muitas famílias, inclusive, começar pelas brincadeiras é mais viável do que encaixar mais um compromisso na agenda.

O ponto principal é evitar uma rotina em que a maior parte do tempo livre seja passada sentada ou diante das telas.


Meu filho fica muito cansado quando corre. Quando devo observar melhor?

Comparações isoladas entre crianças não são suficientes para concluir que existe algum problema. Condicionamento, intensidade da brincadeira, temperatura, sono e vários outros fatores interferem na tolerância ao esforço.

Algumas situações, no entanto, justificam conversar com o pediatra ou cardiologista pediátrico, principalmente quando são recorrentes.

É importante avaliar uma criança que apresenta desmaio durante o exercício, dor no peito relacionada ao esforço, palpitações acompanhadas de outros sintomas, falta de ar desproporcional à atividade ou coloração arroxeada dos lábios ou da pele.

Também merece atenção uma mudança recente. Se uma criança que sempre brincou normalmente começa a interromper atividades que antes tolerava bem, vale investigar o motivo.

O histórico familiar também faz parte dessa avaliação, especialmente quando existem casos de cardiopatias hereditárias ou morte súbita precoce na família.


Uma criança saudável precisa fazer avaliação cardiológica antes de praticar atividade física?

Nem toda criança saudável precisa realizar uma bateria de exames cardíacos para poder brincar ou praticar esportes.

A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico. Sintomas durante o esforço, doenças conhecidas, achados no exame e antecedentes familiares ajudam o médico a decidir se existe indicação de investigação adicional.

Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma ou outros testes não precisam ser solicitados indiscriminadamente para todas as crianças.

A avaliação deve ser individualizada.

Saiba como está a saúde cardiovascular do seu filho

Se seu filho apresenta sintomas durante as atividades físicas, tem histórico familiar cardiovascular relevante ou você tem dúvidas sobre a resposta dele aos exercícios, uma avaliação pediátrica pode ajudar a entender o quadro e orientar a prática de atividade física com segurança.


O movimento que acontece hoje também importa no futuro

Na infância, correr atrás de uma bola não precisa ter objetivo de desempenho.

A criança corre porque está brincando.

Enquanto isso, o organismo aprende a lidar com diferentes intensidades de esforço. Coração e pulmões aumentam sua atividade, a circulação se adapta e os músculos transformam energia em movimento.

Criar oportunidades para que isso aconteça com frequência é uma parte importante do cuidado com a saúde infantil.

A criança não precisa ser atleta. Precisa poder se movimentar.


Perguntas frequentes sobre atividade física na infância


Meu filho sua muito quando brinca. É normal?

Crianças podem suar durante atividades físicas porque o suor participa do controle da temperatura corporal. O que merece atenção é a presença de suor excessivo associada a sintomas como falta de ar desproporcional, dor no peito, desmaio, coloração arroxeada ou dificuldade importante para realizar atividades habituais.


É normal o coração bater muito rápido depois de correr?

Sim. A frequência cardíaca aumenta durante o exercício porque o organismo precisa fornecer mais sangue e oxigênio aos músculos. Depois que a criança para e descansa, os batimentos devem diminuir progressivamente.


Meu filho não gosta de esportes. Como fazer com que seja mais ativo?

Atividade física não precisa significar esporte organizado. Bicicleta, parque, dança, caminhada, pega-pega, bola e brincadeiras que envolvam correr e pular também contam. Encontrar algo de que a criança realmente goste costuma funcionar melhor do que insistir em uma modalidade específica.


Criança pode fazer atividade física todos os dias?

Sim. O movimento diário é recomendado. A atividade precisa ser adequada à idade, ao desenvolvimento e às condições de saúde da criança.


Como saber se meu filho está cansando mais do que deveria?

Observe se existe uma diferença persistente em relação ao próprio padrão da criança. Parar repetidamente em atividades que antes fazia sem dificuldade, apresentar falta de ar importante, dor no peito, palpitações associadas a mal-estar ou desmaiar durante o esforço são motivos para procurar avaliação médica.


Coração acelerado, respiração mais intensa, aumento da temperatura corporal e maior trabalho muscular fazem parte da resposta normal do organismo ao exercício.

É justamente essa capacidade de adaptação que a atividade física ajuda a desenvolver.

O papel dos adultos é oferecer oportunidade, segurança e regularidade. Parque, bicicleta, futebol, dança ou uma corrida pelo quintal podem cumprir muito bem esse papel.

Se alguma resposta ao exercício parecer diferente do habitual ou vier acompanhada de sintomas, converse com o pediatra. A avaliação adequada permite diferenciar uma adaptação normal ao esforço de situações que precisam ser investigadas.


Saiba como está a saúde cardiovascular do seu filho.


Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com profissionais de saúde.



 
 
 

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